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Motociclistas: Cada vez mais e menos espaço

Publicado em: 02/10/2008

Condutor, você lembra da década de 70? Como era sua vida? Como era sua cidade? Como era o trânsito? Como eram as suas roupas? Bom, se você puxar pela memória verá que muita coisa mudou.

Passado cerca de 30 anos a cena que se encontra nas ruas é um tanto quanto diferente. Não vivemos mais a ditadura, a economia é muito mais estável e principalmente seu cabelo, caso ainda tenha, não possui o mesmo penteado.

Na década de 70 o Brasil recebeu no mercado a entrada de motocicletas, principalmente japonesas, no qual se estendeu até meados de 75 quando se fechou a importação de mercadorias. Entretanto as montadoras abrirarm suas fábricas aqui no país e deixaram seus produtos mais próximos do consumidor. Porém o número de veículos de duas rodas nunca foi exorbitante, não acarretando assim maiores preocupações com o tráfego e segurança dos motociclistas.

Com o passar do tempo as necessidades mudaram e ocorreram transformações significativas no trânsito tanto na forma que se dirige como o que se dirige.

O mercado de motocicletas aumentou muito nos últimos 10 anos devido a grande procura deste segmento automobilístico. A política neoliberal que excluiu milhares de jovens de uma educação de qualidade e, por conseguinte oportunidade de empregos criou um exercito de mão-de-obra que necessita de ocupação.

Tal fato afunilou esta massa a cargos que muitos não se submetiam a exercer, devido aos riscos enfrentados, como o caso do motofrete.

Sem nenhuma orientação de , virar “motoboy”, como se tornaram conhecidos os motociclistas que fazem entregas, é a saída que muitos jovens de 18 a 30 anos encontram para sustentar suas famílias. Uma profissão que por mais que marginalizada e considerada por muitos um câncer social é de suma importância para a economia nacional. Tanto na venda de automóveis, entenda-se moto, quanto na arrecadação de impostos e na prestação de serviços em si.

Na ânsia de realizar as tarefas de sua profissão, os motociclistas se envolvem em muitos acidentes, infrações e polêmicas. Morre-se cerca de 1,3 motociclistas por dia na cidade de São Paulo, no ano de 2006 morreram 380 profissionais da área e em 2007 o número de vítimas sobe para 466. Ou seja, estamos em uma verdadeira guerra civil e quem está mais desprotegido sofre as conseqüências mais trágicas.

O grande problema da motocicleta não é o fato de que, como muitos pensam, ela é feita pra infringir regras de trânsito. A questão está na velocidade que ela alcança somado a falta de um envoltório resistente que proteja o condutor. É como se você estivesse flutuando pelas vias a 80 km/h, lembrando que ninguém é o Superman.

Meio milhão de motociclistas circulam pelas vias de São Paulo, isso representa 10% da frota de veículos, mas verifica-se que os motociclistas são os mais acidentados. Muito devido às cobranças do mercado, sendo imprescindível a velocidade na hora de pilotar. Quando uma empresa contrata o serviço de motofrete, na maioria das vezes não se preocupa se esse condutor está atento às regras de , mas apenas com o valor que será cobrado; um motociclista ganha cerca de R$ 9,00 por hora. A maioria das empresas não busca saber se o profissional possui seus direitos garantidos, como CLT, INSS e seguro de vida pelas empresas de motofrete que deveriam orientar sobre a esses motociclistas. Aquele negócio de responsabilidade social fica somente no papel ou mesmo dentro de suas empresas, não envolvendo todo o processo da metrópole.

Com tudo isso, vemos milhares de jovens que tentam se enquadrar nas regras deste jogo. Caso não se submeta, existem outros que querem o seu lugar.

Existem empresas de motofrete que valorizam seus profissionais dando-lhes melhores salários, direitos em carteira, condições seguras de trabalho, cursos de e prazos de entregas mais flexíveis. Tais empresas recebem reconhecimento através de um selo dado pela CET, porém por tais vantagens os valores cobrados pelas empresas tendem a ser um pouco mais altos do que a da concorrência. Com isso tais empresas não dominam ainda o mercado.

Um exemplo bem simples e até irônico da relação de responsabilidade que todos possuem sobre a questão das motos é este: Em quanto tempo você quer que sua pizza chegue em casa?

Tenho certeza que todos nós lembramos do entregador de pizzas... Mas apenas lembramos até o momento em que ele chega ao nosso lar, depois disso cria-se uma amnésia temporária coberta de mussarela e azeitonas.

O vai-vem das motos nos corredores de carros se tornou cultura e até piada na capital paulista: Não...“Nós não quebramos os retrovisores, só tiramos o que não é utilizado”. Brincadeiras sempre têm um fundo de verdade. Por um lado muitos motociclistas na pressa de passar na frente esbarram nos retrovisores dos veículos e por outro lado muitos condutores, que não conhecem as regras de segurança e , realmente não verificam seus espelhos antes de mudarem de faixa.

Mas até que ponto os motociclistas estão certos em fazer isto? Quais as providências que as autoridades tomam sobre este caso? Qual a parcela de responsabilidade dos outros condutores sobre esta prática?

Para respondermos isto, voltemos um pouco no passado em 1997, que em texto original do CTB no artigo 56 referia-se sobre a proibição da passagem de motocicletas entre veículos de filas adjacentes ou entre a calçada e o veículo da fila. Pois bem, o artigo proibia que as motos utilizassem o corredor de carros, mas todos nós sabemos que a maior vantagem da motocicleta é sua agilidade. Ela é pequena, cabe em qualquer espaço. Com isso, as montadoras, aquelas da década de 70, lembra?... Pressionaram os legisladores e o governo para vetarem o artigo, pois se a proibição continuasse não seria vantajoso ninguém ter uma moto, com isso as empresas não venderiam, por conseqüência teriam que demitir seus funcionários, que seguiria por uma paralisação na economia que fulminaria na não reeleição de governantes. Ufa! Uma mão lava a outra, sabe como é que é! E o artigo foi vetado.

Agora chegamos ao ponto em que as motos podem sim podem utilizar os corredores. Todavia, no artigo 192 do CTB encontra-se a proibição de não manutenção de distância lateral dos demais veículos em velocidade. A utilização do corredor em movimento, além de proibida pelo código, não trás segurança ao motociclista, pois devido os veículos de passeio possuir pontos cegos e muitos condutores além de não regularem seus retrovisores, também não os utilizam, posiciona a moto em ângulos que não são vistos pelos motoristas tornando as colisões freqüentes.

Seguindo por essa determinação, a utilização dos corredores seria permitida no caso do trânsito parado. Como quando, por exemplo, fecha-se o semáforo, o trânsito pára, os carros não conseguem ir para os lados e o corredor fica livre para o motociclista. Mas como utilizar este espaço? Em baixa velocidade!

Com velocidades reduzidas a moto já esta em vantagem perante os demais, além de termos uma melhor percepção ao redor, pois ampliamos nosso campo de visão. Outro fator é que conseguimos frear com maior eficiência e evitar um acidente caso um pedestre atravesse no meio dos veículos ou então se uma porta se abra inesperadamente. Sem contar que evita-se também de bater nos retrovisores dos carros, não manchando assim ainda mais a imagem dos motociclistas. Simples assim são alguns conceitos de para motociclistas

Mas não vá achando que a fiscalização não será feita. Além de verificar a velocidade, os agentes podem, caso seja de interesse do município, multar os motociclistas que não praticam a e utilizem os corredores, tanto em movimento, quanto parado, através do artigo 193 do CTB. No qual refere-se à proibição do trânsito sobre divisores de pista de rolamento, entenda-se faixas contínuas e seccionadas. Agora fica uma pergunta: Será que as montadoras esqueceram de vetar este artigo também? Ou será que foi só mais um pouco de água e sabão?

Condutores de carros de passeio convido vocês, que quase como os monges Budistas, paremos por 5 segundos, respiremos bem fundo e pensemos como seria o trânsito sem as motos nos corredores............................................................Pensou?... Sem as buzinadas passando as mais de 70 Km/h do lado dos carros.... Sem a preocupação de que seu retrovisor pode ser quebrado... Sem a necessidade de ter tanta cautela na hora de dirigir.... Uma maravilha não? Doce sonho, mas se olharmos pelo outro lado, se na cidade de São Paulo as motos tivessem que andar como os carros, a cidade não pararia daqui a alguns anos...Não... Já teria parado! Por este motivo que em algumas cidades existe uma “vista grossa” pela fiscalização. Se fizéssemos as motos utilizar somente os limites das faixas, em qualquer que fossem as situações, além de termos mais uma polêmica no panorama, criaríamos a extinção das motos, dos serviços, dos postos de trabalho, enfim começaríamos a 3º Guerra Mundial. Por isso que deve-se existir planejamento, tanto na construção da cidade quanto na manutenção e aprimoramento do seu sistema.

E você pode até indagar: Mas o que eu, condutor que não ando de moto tenho a ver com a utilização que eles fazem do corredor?

Posso lhe responder isto sexta-feira, mas, que tal pedirmos uma pizza pra alegrar a conversa?


Por: Irineu Vilanova

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